A maioria das obras essenciais sobre o tema foi escrita entre 1960 e 1980, com destaque para Paulo Emilio Salles Gomes.

.A despeito da considerável quantidade de livros sobre cinema brasileiro que vem sendo lançada nos últimos anos, a esmagadora maioria das obras essenciais sobre o tema foi escrita entre os anos 1960 – quando começou a ser constituída uma tradição crítica – e 1980. Cabe ressaltar a importância de Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977), responsável pela formação da primeira geração de pesquisadores dedicados ao tema, muitos deles autores dos livros citados a seguir.

Burguesia e cinema: o caso Vera Cruz é um estudo pioneiro sobre a primeira e malograda tentativa de implantação de uma indústria cinematográfica em moldes hollywoodianos, entre os anos de 1949 e 1954. Nele, Maria Rita Galvão procura compreender a empreitada como manifestação do poder da burguesia industrial paulista, capaz de financiar a produção de filmes, vistos como expressão ideológica dessa classe social.

Parte da produção da Vera Cruz é tratada em Revisão crítica do cinema brasileiro, nos capítulos dedicados a Alberto Cavalcanti e Lima Barreto. O livro afirma um programa estético e político para o cinema brasileiro, critica o modelo faraônico da Vera Cruz e defende a invenção de uma linguagem adaptada à exigüidade de recursos. A partir dessas concepções, Glauber Rocha vê Humberto Mauro como um predecessor do cinema novo, assim como o cinema independente dos anos 1950.

Glauber Rocha continua no centro das atenções de Ismail Xavier em Alegorias do subdesenvolvimento, que discute Terra em transe como resposta às perplexidades geradas pelo golpe militar de 1964. O ensaio toma a alegoria como noção capaz de estabelecer identidades e diferenças entre este filme e outras obras capitais do período 1967-1970, como O Bandido da luz Vermelha, Brasil ano 2000, Macunaíma, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, O Anjo Nasceu, Matou a Família e Foi ao Cinema e Bang Bang.

Os anos de chumbo também são focalizados em Cinema, Estado e lutas culturais – anos 50, 60, 70, que investiga o impacto da ação estatal na produção cinematográfica. A ênfase recai sobre as décadas de 1960 e 1970, quando surgiram o INC (Instituto Nacional de Cinema) e a Embrafilme, órgãos encarregados de pôr em prática a política cinematográfica do regime militar.

O sociólogo José Mário Ortiz Ramos reflete sobre as relações cinema-Estado procurando delinear os contextos e mecanismos de produção das obras em um período marcado por intensa politização. Ramos está especialmente atento a uma
questão: a da relação de forças na produção cinematográfica, que aparece no comportamento dos cineastas diante do Estado ditatorial, na constante luta pela hegemonia no campo cultural.

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