É com grande pesar que o AR recebe a notícia do falecimento do nosso querido colega e amigo, o cineasta e roteirista Alberto Salvá.

Realizador de A menina do lado (1987), seu filme mais conhecido, Salvá nasceu em Barcelona, na Espanha, e se radicou no Brasil em 1952.

Apesar de ter fotografado, roteirizado e dirigido algumas comédias, Salvá era considerado um cronista das relações amorosas. Dos anos 1970 e 1980, o foco principal de sua filmografia era a complexidade dos relacionamentos amorosos, abordado em filmes como InquietaçÕes de uma mulher casada (1978). Também enveredou por relato autobiográfico (Um homem sem importância, de 1971) e até mesmo infantil (As quatro chaves mágicas, 1972).

 

A menina do lado se tornou um grande sucesso comercial, ao contar a história de um quarentão (Reginaldo Farias) que se apaixona por uma adolescente (Flávia Monteiro). O filme recebeu os Kikitos de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante no festival de Gramado, em 1988. O roteiro foi escrito a partir do conto erótico Alice, que Salvá publicou na revista Status em 1983.

Salvá também dirigiu diversos programas para a TV Globo, como Carga pesada e Globo Repórter. A partir dos anos 90, dedicou-se a dar aulas de roteiro em diversos cursos no Rio de Janeiro.

Era visto como um grande companheiro pelos amigos, foi também fundador da ARTV, hoje AR – ASSOCIAçãO DOS ROTEIRISTAS, membro do seu primeiro colegiado, e participante ativo dela até o último momento. Obrigado Salvá.

Sylvia Palma

Salvá também ministrava cursos e oficinas de roteiro cinematográfico, chegando até a ceder sua própria casa para que uma dessas tivesse um aprofundamento maior e para atender aos apelos de muitos de seus alunos, tal a sua paixão pelo que fazia.

Lembro-me, como se fosse hoje, de um conselho seu: “Nunca pare de escrever como você nunca parou de sonhar”. Desde então me embrenhei num caminho apaixonante e sem volta.

A todas as minhas dúvidas particulares, ele sempre esteve à disposição para me ajudar, mas não resolvendo meus problemas com roteiros e sim apontando sinais para que eu próprio descobrisse não só onde estavam minhas dificuldades, como também as alternativas para suas resoluçÕes, mas sempre ao seu modo catalão de ser.

Sua maneira didática encantava a todos aqueles que foram agraciados com aulas que, certamente, deixavam a sensação de quero. Todos os que vivemos esta experiência passamos a encarar o cinema de uma outra forma.

Ao Mestre e amigo, Alberto Salvá Contel, dedico não só todas as minhas vinte e uma peças teatrais escritas e sempre incentivadas por ele, “Se no cinema ou na TV está difícil encontrar brechas, parta para o texto teatral, mas não pare !” – me dizia, assim como todos os roteiros já rabiscados por mim.

Obrigado, Mestre Salvá !

Cazé Neto

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