O GT de Equidade Racial e Representatividade da ABRA – Associação Brasileira de Autores Roteiristas vem a público expressar sua solidariedade com as/os quatro roteiristas negras e negros que pediram sua saída da sala de roteiro da série sobre Marielle Franco, vereadora assassinada em março de 2018 cujo crime segue sem ser elucidado, bem como com os/as profissionais negros e negras que seguem no projeto.

Apuramos que todas/os as/os roteiristas envolvidos tiveram suas decisões de saída e seus direitos e contratos respeitados pela empresa contratante e esperamos que a privacidade de cada um seja respeitada neste momento de muita especulação em torno do caso.

A saída de roteiristas negros e negras de um projeto cercado de polêmicas e expectativas é uma importante abertura para discussão dos direitos de autoras e autores, independente de raça, gênero e orientação sexual.

Para além deste caso, que diz respeito apenas aos envolvidos, temos presenciado e recebido, com consternação, relatos do quanto as relações em salas de roteiro têm sido problemáticas para mulheres negras. Sabemos de profissionais que deixaram salas de roteiro por terem sua ética e suas presenças feridas por colegas e superiores e reafirmamos que é necessário um compromisso de todas e todos para que essa realidade seja modificada.

Somos roteiristas, profissionais criativos e criativas. Contribuímos, através de nossa escrita, de forma autoral em cada trabalho e não podemos perder de vista que são as trajetórias e atitudes de mulheres negras que estão construindo o terreno para modificarmos as estruturas e termos um audiovisual – e mesmo uma sociedade – melhor para todas e todos.

Neste contexto de muitos desafios, nosso grupo tem trabalhado em parceria com a diretoria da ABRA para que roteiristas negras e negros, assim como outros grupos sub-representados no audiovisual, encontrem salas de roteiro que as/os respeitem e valorizem; e que possam criar sobre narrativas diversas em gênero, formato e duração – que falem de si ou não – em todas as posições possíveis da cadeia produtiva.

25 de outubro de 2020

Grupo de Trabalho de Equidade Racial e Representatividade da ABRA

DEIXE UMA RESPOSTA