A Associação Brasileira de Autores e Roteiristas (ABRA), através do GT Mulheres e Gênero, torna pública sua indignação e repúdio perante os casos de assédio moral e sexual cometidos pelo produtor e curador Gustavo Beck. Sua conduta criminosa foi exposta em importante matéria de Nayara Felizardo e Schirlei Alvez para o The Intercept Brasil, veiculada no dia 28/08.

Nos solidarizamos com as sobreviventes e honramos a coragem que cada uma dessas mulheres tiveram para divulgar os casos publicamente. Seus relatos escancaram as falidas e já conhecidas estruturas patriarcais pelas quais o setor audiovisual opera, e que permitem que mulheres sejam sistematicamente vítimas de opressão e abusos de poder.

Vários festivais já expressaram seu apoio às sobreviventes, mas para que essa lógica opressora mude, é preciso também propor ações efetivas como: transparência e diversidade nas curadorias e paridade de gênero nos júris, consultorias e esferas decisórias dos festivais, com pelo menos metade das cadeiras ocupadas por mulheres. Propomos também a criação de uma ouvidoria ou equipe de apoio às sobreviventes de abuso dentro dos festivais, que disponha de profissionais capacitadas para o acolhimento des mesmes: idealmente com psicólogas, agentes de saúde e uma assessoria jurídica.

Aproveitamos para registrar o nosso apoio incondicional ao movimento #metoobrasil, com o qual pretendemos estabelecer parcerias, e que também reafirma o apoio da ABRA às roteiristas e autoras sobreviventes de abuso. Afinal, as estruturas patriarcais que expõe mulheres ao perigo nos festivais, também se fazem presentes nas hierarquias das salas de roteiro.

Assim, é urgente que tanto os chefes de sala e criadores, quanto os diretores, produtores executivos e empresas produtoras reflitam sobre suas práticas e criem ações concretas e efetivas para proteger suas profissionais do abuso de poder e de influência praticados por homens profissionais do audiovisual.

Entendemos que estas ações cumprem o propósito de não apenas cuidar das sobreviventes e de coibir novos casos, mas como também de oportunizar espaços para mulheres que, em suas diversidades, explorem todo o potencial que têm a oferecer na formação da Cultura brasileira.

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