por Melina Guterres, jornalista e roteirista associada a Abra

“Rosa é uma mulher que quer ser perfeita em todas suas obrigações: como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Quanto mais tenta acertar, mais tem a sensação de estar errando. Filha de intelectuais dos anos 70 e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente, uma super mulher sem falhas nem vontades próprias. Até que em um almoço de domingo, recebe uma notícia bombástica de sua mãe. A partir desse episódio, Rosa inicia uma redescoberta de si mesma.”
Essa é a sinopse do filme Como nossos pais que levou seis Kikitos no 45º Festival de Cinema de Gramado: melhor filme, direção para Laís Bodanzky, atriz para Maria Ribeiro, ator para Paulo Vilhena, atriz coadjuvante para Clarisse Abujamra e montagem para Rodrigo Menecucci.
Não bastasse, o filme está sendo aclamado pela crítica nacional e internacional.  A diretora Laís Bodanzky assina o roteiro junto com Luiz Bolognesi, roteirista associado a Abra, o filme tem sido chamado de feminista e levantando diversos debates.

Segundo Bolognesi, que fez o primeiro tratamento do filme, o roteiro passou no total por 10 tratamentos, teve alterações na montagem, nasceu da ideia de se falar sobre reuniões de pais na escola.  Ele é leitor de Adélia Prado, Simone Beauvoir, Clarisse Lispector, entre outras autoras, e pai de duas filhas adolescentes. Ele já escreveu diversos personagens femininos e afirma que sempre é um desafio buscar o olhar do outro.

“Laís acrescentou muito ao roteiro ao trazer a opressão que as mulheres passam no trabalho. Acho que conquistamos uma maturidade que mexeu com as pessoas”.
Ainda sobre opressão, ele diz que uma transformação precisa ser construída, lembrando o quanto se elogia os homens quando eles são bons pais, mas esquecem de que “Um homem maravilhoso é apenas uma mulher normal”. Para ele é necessário que mais roteiristas, diretoras ocupem o mercado cinematográfico, espaço que acredita que as mulheres “tem que abrir na porrada”.

Já assistiu o filme? Quer comentar? Não viu? Assista o trailer…
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-_8t-3PG8Qk

Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra,Paulo Vilhena, Felipe Rocha,
Jorge Mautner, Herson Capri, Sophia Valverde, Annalara Prates, Cazé Peçanha
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi
Site: http://www.comonossospaisofilme.com.br/
Page: https://www.facebook.com/comonossospaisofilme/

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Juliana é codiretora de comunicação e editora de conteúdo do site da ABRA. "Originalmente jornalista, fui para França em 1989, onde acabei vivendo por 17 anos. Sem ter me tornado propriamente cartesiana, tornei-me mãe, cidadã francesa e professora, obtive mestrado em cinema e alta (mente duvidosa!) do psicanalista, dirigi 5 curtas, dos quais fui também roteirista, além de vídeos institucionais para a UNESCO e SOS Racisme. Recebi prêmio pela adaptação de Cronopios y Famas, de Julio Cortazar, e subvenções do CNC, Kodak e de Conselhos Regionais da França. No Brasil, desde 2005, escrevo projetos de ficção para João Jardim (A Vida de Julia) e Murilo Salles (O Fim e os meios, selecionado pelos editais Petrobras 2007 e OI Futuro 2008; Prêmio de melhor roteiro do Festival do Rio 2014). Me divido entre o desenvolvimento de roteiros para outros diretores - como Henrique Saladini, Themba Sibeko (SulAfrica) e Kim Chapiron (França) -, além de meus projetos pessoais. Membro do Colégio de Leitores do CNC desde 2001 e da Autores de Cinema desde 2006. Professora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro e da Faculdade de artes do Paraná; coordenadora da Oficina Escrevendo & Filmes, em parceria com Tempo Glauber. Traduzi La Dramaturgie, de Yves Lavandier, para o português, corro quando aguento e quando não aguento recomponho em mosaicos os cacos da louça que, quase sempre sem querer, quebrei. DISPAROS, meu primeiro longa-metragem como diretora, estreou no Brasil em 2012 e participou da seleção oficial do Festival do Rio, batendo o record de prêmios naquele ano (melhor Fotografia, Montagem e ator coadjuvante pelo genial antagonista composto por Caco Ciocler). Atualmente, estou envolvida com o desenvolvimento de projetos de séries TV, coescrevendo com o frances Michel Fessler, os americanos Jeremy Pikser e Walter Bernstein (Hi & Lo Investigations), ou em solo (EXEMPLUM - o julgamento do Dr. Antônio), este último da safra 2016 do Núcleo Criativo da Urca Filmes. No cinema: RESIDENTAS en el camino, minha "menina dos olhos". Um filme de estrada e de jornada, uma investigação sobre as mulheres que, em pleno século XIX, participaram da Guerra da Tríplice Aliança (aka Guerra do Paraguai), assim como uma busca da mulher que a jovem youtuber ELISA quer, em pleno terceiro milênio, se tornar. E, para concluir, #FORATEMER "

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