O PROCESSO CRIATIVO DE
“BAMBOLIM – A Diversão Sempre Vence”, por Vinicius Augusto Bozzo

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Sempre gostei de desenho animados. Quando criança acompanhava Scooby-Doo, Looney Tunes, Animaniacs… Fiquei mais velho e continuo ligado em Irmão do Jorel, Clarêncio o Otimista, Gravity Falls… Mas nunca passou pela minha cabeça que um dia iria me apaixonar por criar roteiros para animação.

Agora, em setembro, acontece a pré-estreia da primeira animação que assino, além do roteiro, a direção: “BAMBOLIM – A Diversão Sempre Vence”. Ao contrário do que muita gente pode imaginar, escrever para animação tem suas facilidades e suas dificuldades, como em toda a escrita. Compartilho aqui, um pouco deste divertido processo que durou quase um ano, para produzir 30 minutos de animação.

“BAMBOLIM – A Diversão Sempre Vence” conta a história de Tito e Cecy, dois amigos de colégio que, fugindo de uma tempestade, procuram abrigo em um local seguro, próximo a um terreno baldio. O local, na verdade, é um portal para o mundo mágico do Bambolim. Lá, elas encontram Mino, um pássaro falante, astuto e fiel escudeiro de Amávida, uma divertida guardiã do Bambolim e do Pé de Imaginação. Desta árvore surgem todas as brincadeiras. Todos se divertiam até que Rud, um vilão que odeia diversão e alegria, surge das sombras para acabar com o Pé de Imaginação. Tito e Cecy descobrem que não entraram por acaso neste lugar, mas que foram convocados por Amávida para ajudar a salvar esse mundo que acabaram de conhecer.

Os idealizadores de “BAMBOLIM”, Leonardo Mendonça e Mariana Simonetti, já tinham uma parte deste mundo criado. Amávida e Mino eram personagens que já existiam. Coube a mim e minha equipe criar uma história que pudesse ser contada e que explicasse esse mundo para criançada, e que ao mesmo tempo apresentasse Amávida e Mino, em sua primeira aventura animada. Amávida e Mino já existiam no papel, já eram mascotes de um grande parque de diversões, mas nunca tinham vivido nas telas.

O público de crianças entre 6 e 10 anos era o alvo. É clichê dizer que o público infantil é rigoroso, mas é verdade. As crianças são sinceras e transparentes, nos elogios e nas críticas. Escrever para crianças é um pouco assustador. Por outro lado, elas são capazes de embarcar com facilidade em certas viagens que nós, adultos, muitas vezes nos privamos.

Reuni dois dos roteiristas e falei: “Precisamos criar uma aventura para esse mundo e esses personagens!”. Para começar, Mino e Amávida eram seres mágicos, precisávamos de crianças que criassem identificação. Surgiram Tito e Cecy, fugindo dos estereótipos físicos e intelectuais ele é um moreno/indígena e ela é ruiva. Começamos criando dez estágios por onde a jornada deveria passar, com alguns personagens auxiliares que iriam impulsionar o aprendizado das crianças e é, é claro, precisávamos de um vilão. Mas eu não queria um vilão malvado e cruel, ele tinha que ser ranzinza, o oposto da Amávida. Assim surgiu Rud, morador da floresta das sombras. Ele reclama de tudo, mas queria uma esperança nele. Por isso, criamos uma dupla personalidade, um Rud bom que vive dentro desse Rud mau e que, de vez em quando, consegue falar. Parecido como o Gollum do “Senhor dos Anéis”.

Definindo a trajetória dos personagens, começamos a escrever e reescrever os diálogos. Precisava ter uma linguagem simples, mas ao mesmo tempo queríamos algumas piadas boas para que os pais das crianças pudessem entender e se divertir também. Eu me dividia escrevendo os diálogos e produzindo a animação. E pude ver nascer os rascunhos de cenários, personagens, escolha das vozes originais…Foi incrível. Optei por ensaiar os atores, com a ajuda do ator e diretor Davi Rios, e depois de conversas e ensaios, gravamos os áudios com todo o elenco junto no estúdio. Rindo e se divertindo com o texto. Muita piada boa surgiu nas gravações e nas leituras. Improvisos que ficaram para o filme. O trabalho do roteiro continuava aqui também. Eu voltava e ajustava os roteiros e repassava para a turma do storyboard e animadores.

Eu acabei participando de mais processos do que imaginava no início. Era como se eu estivesse escrevendo o tempo todo, até longe dos teclados. E ver a animação pronta, finalizada, crianças rindo nas primeiras exibições teste, me deu mais e mais vontade de escrever para animações. Eu realmente me animei para os próximos projetos.

Quem quiser assistir à animação, vai ter que esperar um pouquinho. Ela será comercializada primeiro aqui no Ceará, em DVD, mas até o final do ano estará em algumas plataformas VOD para todo o Brasil.

Ficha Técnica:  Criação: Leonardo Mendonça e Mariana Simonetti   Concepção: Daniel Dias    Roteiro e Direção Geral: Vinicius Augusto Bozzo    Direção de Voz Original: Davi Rios   Ilustrações e Direção de Arte: Tito Marques    Storyboard e cenários: Ítalo Furtado    Animação e Montagem: Vitor Guimarães e Allef Mustella   Sound Design e Trilha Original: Paulo Tomé     Elenco: Christiane Góis, Vinicius Augusto Bozzo, Davi Rios, Rildon Oliver, Mônica Meneses, Allef Mustella     Produção Executiva: Priscille Gomes

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Vinicius Augusto Bozzo é roteirista filiado a ABRA, diretor, editor e ator comediante. Produziu diversos programas de televisão, séries para web e documentários para TV (“As histórias de Quintino Cunha”, “Aldeia do Saber”, “Máquina de um Tempo” e “Mergulhando no Azul da Cor do Mar”). É diretor e sócio da Sinfonia Filmes / Grupo Maestros, sediada em Fortaleza no Ceará.

 

 

 

 

 

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A série O PROCESSO CRIATIVO DE… é composta de artigos escritos pelos associados da ABRA – uma maneira de abrir espaço para o autor roteirista falar do seu trabalho no desenvolvimento das obras audiovisuais. As opiniões expressas aqui são de responsabilidade do autor e podem não representar o posicionamento oficial da associação.

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Juliana é codiretora de comunicação e editora de conteúdo do site da ABRA. "Originalmente jornalista, fui para França em 1989, onde acabei vivendo por 17 anos. Sem ter me tornado propriamente cartesiana, tornei-me mãe, cidadã francesa e professora, obtive mestrado em cinema e alta (mente duvidosa!) do psicanalista, dirigi 5 curtas, dos quais fui também roteirista, além de vídeos institucionais para a UNESCO e SOS Racisme. Recebi prêmio pela adaptação de Cronopios y Famas, de Julio Cortazar, e subvenções do CNC, Kodak e de Conselhos Regionais da França. No Brasil, desde 2005, escrevo projetos de ficção para João Jardim (A Vida de Julia) e Murilo Salles (O Fim e os meios, selecionado pelos editais Petrobras 2007 e OI Futuro 2008; Prêmio de melhor roteiro do Festival do Rio 2014). Me divido entre o desenvolvimento de roteiros para outros diretores - como Henrique Saladini, Themba Sibeko (SulAfrica) e Kim Chapiron (França) -, além de meus projetos pessoais. Membro do Colégio de Leitores do CNC desde 2001 e da Autores de Cinema desde 2006. Professora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro e da Faculdade de artes do Paraná; coordenadora da Oficina Escrevendo & Filmes, em parceria com Tempo Glauber. Traduzi La Dramaturgie, de Yves Lavandier, para o português, corro quando aguento e quando não aguento recomponho em mosaicos os cacos da louça que, quase sempre sem querer, quebrei. DISPAROS, meu primeiro longa-metragem como diretora, estreou no Brasil em 2012 e participou da seleção oficial do Festival do Rio, batendo o record de prêmios naquele ano (melhor Fotografia, Montagem e ator coadjuvante pelo genial antagonista composto por Caco Ciocler). Atualmente, estou envolvida com o desenvolvimento de projetos de séries TV, coescrevendo com o frances Michel Fessler, os americanos Jeremy Pikser e Walter Bernstein (Hi & Lo Investigations), ou em solo (EXEMPLUM - o julgamento do Dr. Antônio), este último da safra 2016 do Núcleo Criativo da Urca Filmes. No cinema: RESIDENTAS en el camino, minha "menina dos olhos". Um filme de estrada e de jornada, uma investigação sobre as mulheres que, em pleno século XIX, participaram da Guerra da Tríplice Aliança (aka Guerra do Paraguai), assim como uma busca da mulher que a jovem youtuber ELISA quer, em pleno terceiro milênio, se tornar. E, para concluir, #FORATEMER "

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