O presidente da GEDAR, Marcílio Moraes escreve de Portugal ao presidente do SICAV, agradecendo o convite para participar do Seminário O Desafio da Gestão de Direitos na era Digital.

Caro Leonardo,

Obrigado pelo convite, que muito me honra. No entanto, não poderei comparecer. Estou em Lisboa, onde vim participar da reunião anual da Confédération Internationalle des Societés des Áuteurs et Compositeurs – CISAC que, como você sabe, congrega todas as
entidades de gestão coletiva de direitos autorais do mundo. Nesta reunião, a GEDAR – Gestão de Direitos dos Autores Roteiristas, que presido, foi aceita como membro, o que terá enorme significado para a consolidação do “direito de remuneração” sobre a exibição pública de nossas obras.

Seria muito importante para nós, e este é um pedido formal que lhe faço, que esta minha mensagem fosse lida no seminário organizado pela SICAV, o qual, em boa hora, traz à baila  o direito autoral na era digital.
Como se depreende do primeiro parágrafo, acima, a GEDAR tem como princípio basilar e inarredável a defesa do “droit d’auteur”, direito de autor, conceito jurídico consagrado na maioria dos países culturalmente desenvolvidos, o qual garante que o detentor dos direitos da obra artística audiovisual é a pessoa física do autor, seja ele músico, escritor, roteirista ou diretor.
Defendemos que este princípio se aplica não só aos meios tradicionais de difusão da obra audiovisual mas igualmente àqueles que hoje se disseminam através das plataformas digitais.
Temos consciência dos desafios técnicos que a garantia dos nossos direitos na internet impõe, mas sabemos que podem e serão superados. Não se admite que a complexidade dos meios continue indefinidamente a justificar o solapamento dos nossos direitos autorais. Aqueles que lucram com a exibição das nossas obras, seja de que modo for, devem pagar por isso. No caso dos autores-roteiristas, a GEDAR se constituiu para que este direito moral, inalienável, não se perca.

Sei que o que acabo de dizer merece desenvolvimentos muito superiores a este texto, mas não queria deixar de, nesta oportunidade, reiterar ideias para nós tão essenciais.
Obrigado.

Marcilio Moraes
Escritor, autor-roteirista
Presidente da GEDAR

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Juliana é codiretora de comunicação e editora de conteúdo do site da ABRA. "Originalmente jornalista, fui para França em 1989, onde acabei vivendo por 17 anos. Sem ter me tornado propriamente cartesiana, tornei-me mãe, cidadã francesa e professora, obtive mestrado em cinema e alta (mente duvidosa!) do psicanalista, dirigi 5 curtas, dos quais fui também roteirista, além de vídeos institucionais para a UNESCO e SOS Racisme. Recebi prêmio pela adaptação de Cronopios y Famas, de Julio Cortazar, e subvenções do CNC, Kodak e de Conselhos Regionais da França. No Brasil, desde 2005, escrevo projetos de ficção para João Jardim (A Vida de Julia) e Murilo Salles (O Fim e os meios, selecionado pelos editais Petrobras 2007 e OI Futuro 2008; Prêmio de melhor roteiro do Festival do Rio 2014). Me divido entre o desenvolvimento de roteiros para outros diretores - como Henrique Saladini, Themba Sibeko (SulAfrica) e Kim Chapiron (França) -, além de meus projetos pessoais. Membro do Colégio de Leitores do CNC desde 2001 e da Autores de Cinema desde 2006. Professora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro e da Faculdade de artes do Paraná; coordenadora da Oficina Escrevendo & Filmes, em parceria com Tempo Glauber. Traduzi La Dramaturgie, de Yves Lavandier, para o português, corro quando aguento e quando não aguento recomponho em mosaicos os cacos da louça que, quase sempre sem querer, quebrei. DISPAROS, meu primeiro longa-metragem como diretora, estreou no Brasil em 2012 e participou da seleção oficial do Festival do Rio, batendo o record de prêmios naquele ano (melhor Fotografia, Montagem e ator coadjuvante pelo genial antagonista composto por Caco Ciocler). Atualmente, estou envolvida com o desenvolvimento de projetos de séries TV, coescrevendo com o frances Michel Fessler, os americanos Jeremy Pikser e Walter Bernstein (Hi & Lo Investigations), ou em solo (EXEMPLUM - o julgamento do Dr. Antônio), este último da safra 2016 do Núcleo Criativo da Urca Filmes. No cinema: RESIDENTAS en el camino, minha "menina dos olhos". Um filme de estrada e de jornada, uma investigação sobre as mulheres que, em pleno século XIX, participaram da Guerra da Tríplice Aliança (aka Guerra do Paraguai), assim como uma busca da mulher que a jovem youtuber ELISA quer, em pleno terceiro milênio, se tornar. E, para concluir, #FORATEMER "

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