O diretor regional de São Paulo, José Carlos Sibila, acaba de ser eleito como membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista, cidade do interior de São Paulo.

Nessa entrevista, o agora ilustre imortal da AR fala um pouco de sua vida, método de trabalho e da condição dos escritores, roteiristas e afins do Brasil.

Patricia Oriolo: Começo com a já tradicional pergunta, conte-nos como começou a sua trajetória profissional?

José Carlos Sibila:
No porão da casa dos meus pais não havia luz. Por incrível que pareça, era o local ideal para se “mostrar imagens”. O espaldar de duas cadeiras eram as colunas da tela. Um pano branco molhado era a própria tela. Uma vela colocada atrás do pano branco molhado fazia as vezes do projetor de imagens.

O movimento das mãos e alguns objetos passando entre a luz da vela e o pano branco molhado, davam vida à cena e me encantavam. A mim e alguns “convidados” que tinham que pagar 5 palitos de fósforos para entrar. A trilha sonora e os diálogos eram feitos ao vivo.

Boa parte dos espectadores jamais voltou para assistir uma segunda vez e o “Cine Sibila” não teve vida longa, até por que tomei a maior dura dos meus pais por estar cobrando ingressos dos vizinhos. Mas aquele prazer de contar estórias ficou comigo para sempre e o “Cine Sibila” tornou-se clandestino.

Meu trabalho até hoje tem um pouco desse sabor marginal. Mas eu tive também uma formação acadêmica em Comunicação, sou mestre pela USP em Ciências da Comunicação e me formei em Cinema na França, pela Escola de Cinema de Paris. Contudo, o meu melhor aprendizado foi na EAD- Escola de Arte Dramática, que paradoxalmente não conclui, pois tive que me ausentar do país durante o curso.

Profissionalmente, trabalhei como redator/roteirista e diretor de programas nas TVs Tupi, Cultura, Bandeirantes, Record e estagiário na ex-ORTF (Televisão Francesa). Como Free-Lancer, dirigi vários filmes e vídeos institucionais, serviços e produtos.


Patricia Oriolo:
Hoje você é o Diretor Regional de São Paulo da Associação dos Roteiristas, como começou o seu envolvimento com a Associação?
José Carlos Sibila: Eu fui convidado para ir a uma reunião no CINESESC, lá na Rua Augusta, nos primeiros momentos da Associação em São Paulo. Eu conhecia a maioria das pessoas que estavam à frente da reunião. Como me parecia um bando de desnorteados abraçando uma causa maravilhosa eu me inscrevi no bando ali mesmo.

Sabe, quando nos livramos da ditadura, parecia que as nossas gavetas e cabeças estavam vazias e esses encontros vieram dar alento à necessidade de debater idéias, encontrar pessoas interessantes e nos reunir para saber o que fazer da vida, antes que viessem a definir por nós.

Posteriormente o Maga, que era o diretor regional São Paulo, me convidou para participar de um debate a respeito de “Personagens” na FNAC e eu fui ficando na ARTV, conhecendo pessoas com as mesmas necessidades, encontros e desencontros, sucessos e fracassos. É uma das instituições onde mais encontrei pessoas e profissionais com os quais me interessa conviver e trocar idéias.

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