Sylvia Palma: – Ser escritor nem sempre é uma opção racional. Para muitos, é quase uma imposição da vida. É como se a literatura escolhesse seu autor. E esse autor não tivesse como se livrar da necessidade de escrever. Como foi seu mergulho na vida literária?

Guillermo Arriaga:– Eu entrei na literatura por culpa das mulheres. Para escrever cartas. As mulheres são as responsáveis. Eu queria estar junto delas. E me dei conta de que com a palavra escrita eu poderia agradar mais a vocês do que falando. Porque eu era muito tímido. Vocês são as responsáveis… rs…

 

Sylvia Palma: – Mas, quando você se descobriu escritor?

Guillermo Arriaga:Desde criança… Desde pequenininho eu sempre quis ser um escritor. Aos quinze anos eu escrevi para o teatro. Aos dezoito eu escrevia contos e periódicos para crianças. E passei a escrever profissionalmente aos 23/24 anos. A partir dessa idade eu passei a ser um profissional da escrita.

 

Sylvia Palma:: – Para quem se dedicou ao boxe e ao futebol, de certa maneira, a dois esportes violentos; para quem gosta de caçar, que também exige certa atitude agressiva, escrever é uma defesa ou um ataque? Se defesa, de quem ou de quê? Se ataque, a quem e a o quê?

Guillermo Arriaga:– Às vezes eu me defendo e às vezes eu ataco. Eu dou minha vida por cada palavra que escrevo. Eu posso também dar minha vida para defender um livro meu.

Eu sou do tipo capaz de morrer por cada palavra que escrevo. Sou capaz de sustentar e defender cada palavra escrita por mim até a morte. É uma forma agressiva, mas quando se coloca o coração, a vida nisso, não pode ser tratado de outra maneira.

 

Sylvia Palma: – O que te mobiliza a escrever hoje?

Guillermo Arriaga: – Sempre minha vida. Minha própria experiência pessoal.

 

Sylvia Palma: – As novas tecnologias fazem surgir novos roteiristas, através de janelas como YouTube, e outras da Internet. Como você vê esse movimento de multiplicação de pessoas que escrevem, roteirizam e dirigem filmes?

Guillermo Arriaga:– Primeiro tem que se fazer uma reflexão. As novas tecnologias que chegam pela internet, chat, youtube, my space, têm resgatado a palavra escrita. As pessoas escrevem. As pessoas tinham horror a escrever.

Não escreviam. Não liam. Agora, lêem de novo. Porque o que eles fazem é escrever. A mensagem é escrever. O chat é escrever. A palavra escrita está ganhando outra vez uma força. Então, a internet está devolvendo o poder da escrita. E se agregarmos isso às facilidades para filmar em equipamentos digitais, em vídeos digitais, teremos muitos novos diretores, escritores, o que eu acho muito bom.

 

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